Como Funciona a Nova Tributação sobre Dividendos com a Lei 15.270/2025
09/12/2025

Com a promulgação da Lei 15.270/2025, o cenário da tributação sobre dividendos no Brasil passou por mudanças significativas. A nova legislação estabelece que rendimentos provenientes de dividendos estarão sujeitos a dois tributos: o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e o Imposto de Renda Anual, voltado especialmente para altas rendas. Mas como esses tributos se relacionam? Eles se somam? Um anula o outro?

A resposta envolve atenção aos limites legais e compreensão do mecanismo de ajuste entre os dois tributos.

 

 

1. O IRRF de 10%: Retenção Imediata

A primeira cobrança ocorre no momento da distribuição dos dividendos pela empresa. Sempre que o valor distribuído ultrapassar R$ 50 mil por mês, a empresa deve reter 10% a título de IRRF, independentemente da situação do beneficiário. Trata-se de uma tributação imediata e obrigatória.

Este valor retido funciona como um adiantamento do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) do sócio ou acionista.

 

 

2. O Imposto Anual: Ajuste para Altas Rendas

Já o imposto anual se aplica aos contribuintes cuja renda total ultrapasse R$ 600 mil por ano. Essa tributação tem função de ajuste, sendo calculada na declaração anual. A alíquota pode chegar a até 10%, dependendo do valor apurado, e o IRRF já pago é descontado na apuração final.

Dessa forma, o imposto anual verifica se o contribuinte atingiu a tributação mínima exigida. Se não atingiu, paga a diferença. Se o valor retido ao longo do ano já for suficiente ou superior, nenhum valor adicional é exigido.

 

3. Eles se Somam?


Sim, mas com limites.

O IRRF age como um pagamento antecipado. Já o imposto anual serve para complementar o que eventualmente faltar. A soma dos dois, porém, não é ilimitada.

A própria legislação estabelece um limitador de carga total. Se a soma da tributação da empresa (IRPJ + CSLL) com a do sócio (IRRF + Imposto Anual) ultrapassar um teto, o imposto anual é automaticamente reduzido.

Teto de carga tributária:

- Empresas comuns: aproximadamente 34%

- Instituições financeiras: até 45%

 

4. Como Funciona na Prática?

Dois exemplos simples esclarecem:

Caso 1: IRRF suficiente

IRRF retido: 10%

Mínimo exigido anual: 8%

> Nenhum complemento necessário.

Caso 2: IRRF insuficiente

IRRF retido: 4%

Mínimo exigido anual: 10%

> O contribuinte complementa os 6% restantes.

 

5. Considerações Finais

A interação entre o IRRF e a nova tributação anual exige atenção e planejamento por parte das empresas e dos contribuintes. Entender que o IRRF é um adiantamento e o imposto anual é um ajuste é essencial para evitar surpresas no momento da declaração.

Além disso, o redutor previsto em lei protege o contribuinte contra excesso de carga tributária, limitando a soma total dos tributos dentro dos parâmetros legais.

Ficar atento à aplicação desses novos dispositivos é uma medida estratégica para garantir conformidade, previsibilidade e segurança na gestão dos dividendos.


 

Eduardo Hirt
CASCAES, HIRT & LEIRIA ADVOCACIA EMPRESARIAL
OAB/SC 1.796

 

 



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